Por que crescimento populacional deve ser medido por Censo, não por estimativa anual
O Censo 2022 recalibrou a base populacional do IBGE de um jeito que torna comparações ano a ano com a série de estimativas enganosas — por isso o Radar de Cidades mede crescimento só entre Censos.
Um erro comum ao analisar crescimento populacional no Brasil é comparar a estimativa populacional de um ano com a de outro, ano a ano, como se fosse uma contagem real. O Radar de Cidades evita esse caminho de propósito — e o motivo é técnico, não estilístico.
O problema da quebra do Censo 2022
O IBGE publica 2 tipos de número de população por município: a contagem do Censo (feita de tempos em tempos, a mais recente em 2022, a anterior em 2010) e a estimativa populacional anual (publicada todo ano, calculada por projeção, usada por exemplo pra definir repasses do Fundo de Participação dos Municípios). Como o Censo 2022 recalibrou a base de referência de boa parte dos municípios brasileiros — corrigindo desvios acumulados de mais de uma década de projeção —, comparar a estimativa de um ano com a de outro pode mostrar uma “queda” ou um “salto” de população que não é um evento demográfico real, só um efeito de recalibração metodológica.
Por isso, o indicador de crescimento do Radar de Cidades usa exclusivamente a comparação Censo contra Censo — 2010 contra 2022, tabela 4709 do IBGE — nunca ano de estimativa contra ano de estimativa. É um recorte mais espaçado (12 anos), mas cada ponta da comparação é uma contagem real, não uma projeção.
A população “estimada atual” que aparece no perfil de cada cidade (projetada pra 2026) segue exibida separadamente, claramente identificada como estimativa — útil pra saber o tamanho aproximado da cidade hoje, mas nunca usada pra calcular taxa de crescimento. O perfil de Curitiba, por exemplo, mostra os 2 números lado a lado, sem misturar as 2 metodologias na mesma conta. Veja o critério completo de cada indicador do Radar de Cidades na página de Metodologia, ou o ranking completo de crescimento por Censo.